O Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, documento que apresenta a previsão de receitas e despesas da União para o próximo exercício.
Para quem acompanha o universo dos concursos públicos, um dos principais destaques está no Anexo V da proposta, que prevê 53.530 vagas relacionadas à criação e ao provimento de cargos nos Poderes da União.
Do total, 48.826 são destinadas ao provimento de cargos, enquanto 4.704 correspondem à criação de novas vagas.
A maior parcela está concentrada no Poder Executivo, que reúne 47.609 vagas previstas. O Poder Judiciário aparece em seguida, com 5.131, enquanto Legislativo, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União também possuem quantitativos previstos.
Apesar de representar um número expressivo de oportunidades, é fundamental entender que a inclusão das vagas no PLOA não significa que 53.530 novos cargos serão necessariamente oferecidos em concursos públicos. O projeto ainda precisa passar pelo Congresso Nacional e, posteriormente, outras autorizações e decisões administrativas serão necessárias para a efetivação das contratações.
PLOA 2027: quantas vagas estão previstas para concursos?
A proposta orçamentária apresenta a seguinte distribuição:
| Poder/órgão | Vagas para criação | Vagas para provimento | Total |
|---|---|---|---|
| Poder Executivo | 2.745 | 44.864 | 47.609 |
| Poder Judiciário | 1.868 | 3.263 | 5.131 |
| Poder Legislativo | — | 330 | 330 |
| Defensoria Pública da União | 91 | 92 | 183 |
| Ministério Público da União | — | 277 | 277 |
| Total | 4.704 | 48.826 | 53.530 |
O Poder Executivo concentra quase 90% de todas as vagas previstas, o que mantém em evidência os concursos de órgãos da Administração Pública Federal.
Já no Judiciário, são previstas 5.131 vagas, sendo 3.263 para provimento e 1.868 para criação.
Quase 49 mil vagas são destinadas ao provimento
Um dos pontos que merece atenção na análise do PLOA 2027 é a diferença entre criação e provimento.
Das 53.530 vagas previstas, 48.826 correspondem ao provimento de cargos. Na prática, isso significa que a maior parte do quantitativo está relacionada à ocupação de cargos já existentes, incluindo situações que podem envolver aprovados em concursos realizados anteriormente.
As outras 4.704 vagas estão relacionadas à criação de cargos.
Por isso, não é correto interpretar o número total do PLOA como uma previsão de 53.530 vagas que necessariamente estarão disponíveis em novos editais.
A própria composição orçamentária mostra que parte relevante dos recursos poderá ser utilizada para recomposição dos quadros de pessoal e para nomeações decorrentes de concursos que já estão em andamento ou foram realizados.
Governo prevê recursos para concursos e novas contratações
Além da previsão de cargos no Anexo V, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que o orçamento de 2027 reserva R$ 1,3 bilhão em despesas primárias para concursos e novas contratações no Poder Executivo federal.
Outros R$ 1,2 bilhão estão previstos para concursos e contratações nas instituições federais de ensino.
Assim, o montante destinado a essas finalidades chega a R$ 2,5 bilhões.
Segundo as informações divulgadas pelo governo, os valores abrangem diferentes situações, como concursos já autorizados, provimentos adicionais, seleções em andamento e possíveis autorizações que ainda estão sendo analisadas pelo MGI.
O cenário está relacionado também à necessidade de recomposição dos quadros de servidores. O governo destacou que mais de 70 mil servidores poderão atingir a idade para aposentadoria até 2030, reforçando a demanda por reposição de pessoal.
Reajustes de servidores também estão previstos no orçamento
O PLOA 2027 não trata apenas de novas contratações. A proposta contempla aproximadamente R$ 9,1 bilhões para a recomposição salarial de servidores civis e militares.
O tema faz parte do cenário de despesas com pessoal projetado pelo governo para o próximo exercício, em um contexto de maior controle sobre o crescimento dos gastos públicos.
A proposta orçamentária estabelece um limite de despesas primárias de R$ 2,576 trilhões para 2027, valor 7,7% superior ao limite previsto para 2026.
Por que o número de vagas caiu em relação ao PLOA 2026?
A comparação com o orçamento apresentado para 2026 chama atenção. No PLOA 2026, estavam previstas 89.058 vagas para o serviço público federal. Para 2027, o quantitativo caiu para 53.530.
Isso representa uma redução de aproximadamente 39,9%.
O Poder Executivo continua concentrando a maior parte das oportunidades, mas também apresentou queda significativa: foram 81.421 previsões no PLOA 2026, contra 47.609 no projeto para 2027.
Confira a comparação:
- Poder Executivo: de 81.421 para 47.609 vagas;
- Poder Judiciário: de 6.983 para 5.131;
- Poder Legislativo: de 271 para 330;
- DPU: de 810 para 183;
- MPU: de 357 para 277.
O Legislativo foi a exceção, com crescimento de aproximadamente 21,8% na previsão, passando de 271 para 330 vagas.
Os dados do PLOA 2026 confirmam que a proposta anterior previa 89.058 vagas, sendo 81.421 destinadas ao Executivo.
O que explica a redução das vagas para 2027?
A elaboração do orçamento de 2027 ocorre em um cenário fiscal mais restritivo.
De acordo com as informações divulgadas sobre a proposta, mecanismos previstos na legislação fiscal limitam o crescimento das despesas com pessoal diante do resultado fiscal registrado nos exercícios anteriores.
O efeito é a necessidade de maior cautela na expansão das despesas obrigatórias, o que impacta diretamente o planejamento de novas contratações e reajustes.
Ainda assim, a existência de mais de 53 mil previsões de criação e provimento demonstra que o governo mantém espaço orçamentário para recomposição dos quadros e realização de contratações ao longo de 2027.
Concursos federais que já estão no radar
O PLOA deve ser analisado em conjunto com outro fator importante: diversos concursos federais já possuem autorização ou estão em diferentes estágios de preparação.
Entre as seleções que merecem atenção estão órgãos como:
Receita Federal
O concurso da Receita Federal possui autorização para:
- 30 vagas de Auditor-Fiscal;
- 116 vagas de Analista-Tributário.
O Ministério da Gestão e da Inovação também publicou, em julho de 2026, a autorização para realização de novo concurso para o quadro da Receita Federal.
Banco Central
O Banco Central também está entre os órgãos com concurso autorizado, com previsão de oportunidades para:
- Técnico;
- Auditor;
- Procurador.
A autorização para o concurso foi formalizada pelo MGI em julho de 2026.
Controladoria-Geral da União
A CGU também está no radar dos concurseiros, especialmente pela previsão de oportunidades para a carreira de Auditor Federal de Finanças e Controle.
Advocacia-Geral da União
A AGU possui previsão de oportunidades para diferentes carreiras jurídicas, incluindo:
- Advogado da União;
- Procurador da Fazenda Nacional;
- Procurador Federal.
Agência Nacional de Proteção de Dados
A ANPD também aparece entre os órgãos com seleção autorizada, com previsão para a carreira de Especialista em Regulação de Proteção de Dados.
E o Poder Legislativo?
No Legislativo, o destaque fica para a Câmara dos Deputados.
Das 330 vagas previstas para o Poder Legislativo no PLOA 2027, 237 estão relacionadas à Câmara dos Deputados.
O quantitativo poderá contemplar tanto o aproveitamento de aprovados em concursos anteriores quanto as necessidades decorrentes de novas seleções.
A Casa também trabalha na preparação de novo concurso para cargos específicos da carreira de Analista, o que mantém a Câmara entre os concursos federais que devem ser acompanhados pelos candidatos.
PLOA 2027 prevê vagas para a DPU?
Sim. A Defensoria Pública da União (DPU) aparece no Anexo V com 183 vagas, sendo:
- 92 para provimento;
- 91 para criação.
O quantitativo, contudo, não deve ser interpretado automaticamente como número de vagas de um novo edital.
A realização de concurso depende da análise das necessidades da instituição e das demais autorizações necessárias.
E o Ministério Público da União?
Para o Ministério Público da União (MPU), estão previstas 277 vagas, todas destinadas ao provimento. O número está relacionado à recomposição do quadro de pessoal e pode contemplar aprovados em seleções que ainda estejam válidas.
A distribuição indicada no orçamento contempla:
- Ministério Público Federal (MPF): 233;
- Ministério Público Militar (MPM): 10;
- Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT): 20;
- Ministério Público do Trabalho (MPT): 5.
O cenário deve ser acompanhado pelos candidatos aprovados em concursos recentes, especialmente porque a existência de cargos vagos pode abrir espaço para novas convocações durante a validade dos certames.
Quais são os próximos passos do PLOA 2027?
Após o encaminhamento ao Congresso Nacional, o projeto passa pelo processo legislativo orçamentário.
A proposta será analisada pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), responsável pela apreciação do orçamento.
Durante essa etapa, deputados e senadores podem apresentar emendas dentro das regras estabelecidas. O texto passa por análise e votação dos relatórios correspondentes antes de chegar ao Plenário do Congresso Nacional.
Depois da aprovação, o projeto é encaminhado para sanção ou veto presidencial.
Com a sanção, o PLOA se transforma na Lei Orçamentária Anual (LOA), que servirá como base para a execução do orçamento federal em 2027.
O que o candidato deve fazer diante do PLOA 2027?
A redução do número de vagas em relação ao PLOA 2026 não significa que o cenário de concursos federais deixou de ser relevante.
Pelo contrário: a proposta continua indicando dezenas de milhares de possibilidades de provimento e criação de cargos, enquanto diferentes órgãos já possuem concursos autorizados ou em preparação.
Para quem pretende conquistar uma vaga no serviço público federal, o principal recado é não esperar a publicação do edital.
A preparação antecipada permite construir uma base sólida, acompanhar as disciplinas mais importantes e chegar ao período pós-edital com uma vantagem significativa.
O PLOA 2027, portanto, deve ser visto como um indicador importante do planejamento de pessoal da União, e não como uma lista definitiva de novos concursos.
Vale a pena começar a estudar antes do edital?
Sim. A previsão orçamentária, somada às autorizações e movimentações já existentes em diversos órgãos, reforça a importância de acompanhar o cenário e iniciar a preparação com antecedência.
Para o candidato, estudar antes do edital continua sendo uma das principais estratégias para aumentar a competitividade.
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